sexta-feira, 23 de junho de 2017

Por que séries de animação adulta sobre famílias sempre têm o pai como personagem principal?

Eu curto muito esses desenhos e animações que se propõem a analisar e criticar com humor o moralismo social a partir das vivências do "modelo tradicional de família", tais como "Os Simpsons", "Family Guy", "American Dad"... Por esses dias terminei de ver a segunda temporada de "F is for Family" na Netflix e achei por bem escrever sobre uma coisa que observo de comum nessas séries: todas têm como personagem principal o pai da família. Vejamos se não: Família Dissouro: DinoOs Simpsons: Homer Simpon; Family Guy: Peter Grifin; American Dad: Stan Smith; Bob's Burgers: BobThe Cleveland Show: Cleveland; F is for FamilyFrank Murphy. Se alguém duvida então analise por gentileza as aberturas dessas animações e observe quem é que que protagoniza os vídeos de abertura (quando o próprio nome da série já não tem o nome do cara como principal).

Na maioria dos desenhos que eu listei a mulher não pode ser dita nem como secundária, afinal em "Os Simpsons", por exemplo, depois de Homer o personagem que mais popular é Bart. Em "Family Guy" com certeza os personagens depois de Peter são Brian e Stewie. Em "American Dad" depois de Stan pode-se dizer Roger. Só em "F is for Family" a mulher, Sue Murfy, talvez possa ser dita como segunda personagem da história. Mas o comum é que são sempre as histórias da família de "um cara". Outro comum é que a mãe nunca tem emprego, é sempre a esposa e mãe que cuida da casa o modelo de "good house wife" (ou se arruma um emprego é só temporamente por conta de fases de dificuldade financeira da família). Se eu for fuçar nos desenhos que assisti na infância encontro a mesma regra. Por exemplo, "Os Flintstones" e "Os Jetsons" até em "O Fantástico Mundo de Bobby". Claro que ainda gosto de todos esses desenhos, mas no meio de todo o roteiro eu me pego pensando "como será que essa mulher se sentiria?", mas o roteiro quase sempre se desenvolve sobre outro assunto. Talvez seja possível encontrar pontos de subversão a esse clichê em "A Família Adams", afinal, é inegável o teor de protagonização de Wandinha (mesmo porque, ser o inverso ao comum conformista era a sacada da série). Não estou querendo dizer que esses desenhos são machistas, se você entendeu isso, então entendeu tudo errado (há personagens nesses desenhos, inclusive, que eu AMO, como Tina [Bob's Burgers] e Brian [Family Guy]). Só quero atentar para essa tendência de sempre ser "o cara" a ocupar a posição de "centro" e protagonista, o que me soa cansativo, pois não param de surgir desenhos novos que repetem o mesmo modelo. Quando vai aparecer um que subverta isso?

Observe os filmes, livros, séries mais populares de modo geral, quantos deles contam histórias de mulheres. Digo sem rodeios: bem poucos! E nesses poucos encontramos muita besteira com clichês preconceituosos com mulheres inseguras, melancólicas, nervosas e confusas ou simplesmente mulheres buscando "um príncipe". Claro que hoje em dia tem uma "Moana" ou outra aparecendo no cinema, mas sabe uma coisa que eu queria ver e ainda não vi: uma sitcom adulta na qual se invertesse essa lógica de "o pai é o centro" só para ver como os roteiros dos episódios seriam e para poder dizer que tem pelo menos uma assim.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

domingo, 4 de junho de 2017

"Pogando", de Psonha

Se  alguém me pedisse uma dica de Histórias em Quadrinhos punk e de autoria de uma mulher, com certeza essa seria minha primeira indicação. A HQ "Pogando", de Psonha (ex-baixista da banda punk/hardcore Menstruação Anárkika) carrega em cada página todo espírito jovem e entusiasmado punk. As ilustrações são muito lindas, um misto de técnicas de aquarela, guache e arte digital. Esta edição vem em papel couché fosco 150 g/m², ou seja, ótima qualidade!

SINOPSE: A HQ "Pogando", da Psonha, é Punk! Punk que pulsa em todas as páginas através do traço, das cores, das músicas e das letras dessas músicas. Pogando tem ótimas sacadas gráficas, narrativas e é, principalmente, sobre juventude, liberdade e amadurecimento de um jeito Punk que você vai conhecer lendo a história. Poguemos! \o/



Recomendo que leia ouvindo a playlist das músicas que "rolam" na história: Playlist Pogando.

Título: Pogando;
Autora: Psonha;
Editora: SESI-SP Editora;
Ano: 2015;
Págs.: 120;
Preço: R$ 42.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

"Como na quinta série", de DW Ribatski

O assunto abordado nessa HQ é violência policial. A edição, lançada na versão impressa em 2011, foi disponibilizada para leitura on line livre em 2013 e conta uma história de abuso de poder e violência policial e como um novo policial age diante de uma situação diante da qual não consegue manter o controle.

SINOPSE: O que acontece quando um policial da temida F.O.D.A. (Força Especial das Rodovias) encontra um jovem transgressor que reage a uma abordagem de maneira pouco convencional. Esse é o enredo da história 'Como na quinta série', segundo volume da coleção ZUG. O livro mergulha numa trama perturbadora sobre a autoridade, o poder e a ignorância humana.

Em virtude dos tempos críticos e extremos que estamos experimentando no Brasil a Balão Editorial tornou disponível, em acordo com o quadrinhista DW Ribatski, a HQ Como na Quinta Série gratuitamente na internet para leitura [AQUI].


A edição impressa custa R$13 e pode ser adquirida no site da editora.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade", de bell hooks

Primeiramente Fora Temer! (irresistível dizer isso),"bell hooks" não está escrito errado. A autora do livro que vamos comentar a respeito hoje é uma ativista social e acadêmica estadunidense, nascida numa zona rural do Kentucky, seu nome "de registro" é Gloria Jean Waltkins (1952 - ), mas ela assumiu o nome da sua bisavó materna, Bell Hooks, como um "nick name" na intensão de lhe prestar uma homenagem. Quanto ao uso de letras minúsculas na redação do nome, ela prefere usar assim pela razão de acreditar que desse jeito indica ao leitor que o foco em que se deve concentrar são suas ideias e não ela mesma.

SINOPSE: "Em Ensinando a Transgredir, bell hooks  escritora, professora e intelectual negra insurgente  escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a "transgredir" as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. Segundo bell hooks, "a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender". Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo".

Tenho a primeira edição brasileira de Ensinando a Transgredir, que é de 2013, mas em 2017 a editora WMF Martins Fontes trouxe uma segunda edição do livro com uma capa muito melhor, eu amei! Este é um livro sobre feminismo, pedagogia e pensamento crítico social, assuntos super atuais e urgentes abordados sob uma perspectiva que visa a liberdade e libertação plena de todas as pessoas. Portanto, recomendo demais a leitura dessa obra e que se conheça essa pensadora contemporânea fantástica.


Até hoje, o único livro traduzido no Brasil de bell hooks é Ensinando a Transgredir, o que é uma pena porque ela tem vários outros que com certeza seriam muito interessantes para os leitores e leitoras no Brasil. Tais como ain't i a woman, feminism is for everybody, yasmming, feminist theory, entre outros... Já enviei um e-mail à WMF Martins Fontes perguntando se há planos de traduzir outras obras da autora, mas infelizmente nunca fui respondida.


O foco das ideias de hooks estão em questionamentos ligados ao feminismo e interseccionalidade de vários tipos de opressão (como de raça e classe, por exemplo). Segundo hooks "o feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão".



Título: Ensinando a Transgredir;
Autora: bell hooks;
Editora: WMF Martins Fontes;
Págs.: 288;
Preço: R$ 49,90.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...