quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cotidiano na História: Comportamento da Mulher

A análise das revistas femininas de 1945 a 1964

A mulher ideal é carinhosa em casa e austera na rua. Ela deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira. Como é preciso manter o casamento, a esposa que desconfia da infidelidade do marido precisa redobrar seu carinho e provas de afeto. Absurdo? Para as centenas de leitoras que acompanhavam as revistas direcionadas ao público feminino das décadas de 40, 50 e início dos anos 60, esses conceitos faziam parte do cotidiano. Hoje são temas de estudo.
"O conceito de felicidade mudou", observa a historiadora Carla Silvia Beozzo Bassanezi, eu escreveu um livro sobre as relações entre homens e mulheres , vistas a partir das revistas femininas Jornal das MoçasQueria e Claudia. Segundo ela, há 30 ou 40 anos a realização estava em um casamento bem-sucedido. Atualmente, a preocupação maior é com a realização pessoal, profissional, afetiva e sexual.
As revistas antigas diziam que em caso de traição o melhor era fazer de conta que nada estava acontecendo, pois o marido sempre volta para casa e a infidelidade masculina é biológica.
Temas como homossexualidade, desquite (na época não havia divórcio), doenças venéreas e aborto eram sumariamente ignorados.

O que as revistas femininas aconselhavam às leitoras:

 Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (Jornal das Moças, 1957); <= Quê?!

 Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e as provas de afeto. (Claudia, 1962); <= Jamais!

 A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (Jornal das Moças, 1959); <= Juraaaa que eu vou trabalhar como uma louca p'ra homem preguiçoso!

 A esposa deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar que a caça já foi feita, mas é preciso deixá-la bem presa. (Jornal das Moças 1955); <= Até a primeira vírgula até, dá, com muito boa vontade, para concordar desde que esse conselho se aplique para os homens também, claro! Mas que termos são esses (?! ), "caça", "presa"... Hã?! É como se o maior bem para realização de uma mulher fosse o casamento. Ops! Na época era! Afff!

 Se seu marido fuma, não arrume brigas pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa (Jornal das Moças, 1957); <= Eca! Nem de cigarro eu gosto! Quanto mais de homem sujo e bagunceiro!

 Se a mulher deu um mal passo,  deve arrepender-se do seu erro, deixar de lado o amor proibido e as ligações perigosas e assumir seu erro, propondo-se  a não cometê-lo novamente. (Claudia, 1963); <= "Dar um mal passo" = "transar com um homem antes do casamento". kkkkkkk Essa não vou nem comentar. Hilário!

• Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Querida, 1954); <= Hã?! Se nossos namorados/noivos não quiserem "divertir-se" conosco (e nos divertir também, claro!) a gente manda ele passear e vamos "nos divertir" com outro, outra, outros! kkkkk

 O lugar da mulher é no lar, o trabalho fora de casa masculiniza. (Querida, 1955); <= Essa é a pior!

 É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das moças, 1957). <= Pior que ainda hoje vejo esse incentivo a "se arrumar" só para  impressionar macho. Eu não me arrumo para homem! Me arrumo principalmente para mim mesma, ora essa! 

Fonte: COTRIM, Gilberto. História e Reflexão: Vol. 4. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 1997.
Legenda da imagem: Publicidade dos produtos de beleza Cashmere Bouquet, 1957.
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