terça-feira, 12 de março de 2013

É trapaça editar suas fotografias?

A edição de foto faz parte do processo fotográfico para obter o contraste e os tons desejados. A fotografia não se resume ao momento do clique, na verdade ela começa bem antes, quando se planeja os resultados que se pretende conseguir, e termina bem depois, com todo um caminho que se segue para conseguir que o resultado final seja o que se planejou. Ou seja, é um processo longo. 

Com a fotografia digital os processos de edição (que antes eram reservados, mas feitos durante a revelação das fotos analógicas) se tornaram mais acessíveis para todos nós.  Porém, com a popularização dos recursos de edição de imagem através dos softwares de edição, cumpre perguntarmos-nos: é trapaça editar suas fotografias?

Primeiramente faz-se importante dizer que edição de fotografia não é a mesma coisa que manipulação de fotografia. O primeiro é o retoque na fotografia que se restringe tão somente a ajustar questões de iluminação, saturação, enquadramento da imagem; enquanto a segunda consiste em forjar (seja adicionando ou subtraindo) elementos na imagem, como as revistas de moda e beleza fazem com as estrias das modelos rsrs.

Se estamos falando de fotografia artística, a maioria concorda que não há maiores problemas em utilizar recursos tanto de manipulação quando de edição de imagens, desde que claro se observe alguns limites de razoabilidade e bom senso. Posso usar como exemplo de manipulação de imagem válida a maneira como se faz sobreposição de imagens hoje em dia. Segue um exemplo de sobreposição feita digitalmente:


Assim, em fotografia artística a margem de liberdade para criar é, naturalmente, bem mais ampla, dependendo tão somente da sensibilidade do fotógrafo; há muitos até que seguem a vertente do vale-tudo em fotografia artística.

Entretanto, tratando-se de fotojornalismo, é muito claro que a manipulação das fotografias é agir com desonestidade, uma vez que esta categoria fotográfica deve ser fiel à realidade para ter credibilidade, a que tem função de relatar os fatos. Já que se trata de fotografia documental, até um simples ajuste de cor (que a princípio não representa qualquer trapaça ou falta de ética) pode dar uma caráter manipulado à imagem. Por exemplo: a pessoa faz uma foto de uma cidade acometida por chuvas intensas e risco de alagamentos perigosos, mas ajusta posteriormente os tons da imagem para tons mais quentes que dão a impressão de que não está chovendo tanto assim no local.

O indispensável nessa categoria fotográfica é a clareza e a transparência no que se mostra. Este, para agir eticamente, deve procurar interferir na realidade dos fatos minimamente como for possível (já que sempre haverá algum tipo de influência do "olho" do fotógrafo que pode gerar distorções), e por conta desse nível razoável de distanciamento é que montagens e manipulações de imagens devem ser evitadas.

Por fim, o trabalho de tratamento de imagem, por si só, não é antiético, mas há que se observar a função final daquela fotografia e se o tratamento termina por retirar a essência* da mesma. Exercite sua criatividade e inove!

Esta é, com certeza, uma discussão que daria muito o que falar: qual a "essência" da fotografia? Isto é, o que de elementar, uma vez retirado do conceito de fotografia a faz deixar de ser o que é, ou seja, fotografia? Quem sabe um assunto para outro post?... Um forte abraço!

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