domingo, 1 de setembro de 2013

O "valor" do corpo que eu habito

Imagem: Topless Grunge by Sirenphotos.
Essa noite eu tive um sonho que não me espantaria se ocorresse na "vida real".

Sonhei que estava numa praia semi deserta com meu namorado e optava por me bronzear sem blusa. Daí eu via uns caras de longe que me viam e começavam a andar em minha direção dizendo "gracinhas", só quando eles viam o meu namorado é que paravam e começavam a pedir desculpas, e pra piorar, pediam desculpas AO MEU NAMORADO não a mim. Logo eu entendia que o que ficava implícito ali, era a ideia de que é O CARA que deve ser respeitado, e a mulher é DO cara, se ela não for DE UM cara, então ela é de NINGUÉM e, sendo assim, não haveria alguém para quem dever respeito. Eu ficava extremamente emputecida e ia lá brigar com os fdp. Acordei por aí...

Acho que sonhei isso porque ontem, entes de dormir, eu estava lendo uma revista onde havia uma moça de Portugal narrando uma historia, no meio da história ela dizia "desisti do topless por segurança". Na hora exclamei confusa: "segurança?!"; mas nem pensei muito sobre isso depois.

Este evento psicológico meu me fez pensar hoje um pouco mais sobre a tutela social do corpo feminino, sobre como o corpo feminino é associado diretamente ao sexo, ao convite ao sexo e, pior, ao desfrute do homem. A ideia é: "o corpo da mulher serve para o homem usar, se ela está mostrando é porque ela está permitindo que ela o use, se não quer isso, então esconda seu corpo". Dessa ideia decorrem os demais dogmas morais que pregam que a mulher tem que ser casta para ser pura para merecer respeito. Não sendo assim, ela é puta e não tem que ser respeitada. É a velha distorção do que se entende por "mulher tem que se dar valor" (mas o que é exatamente "se dar valor"?).

Enfim, pensei em esquecer isso (afinal foi só um sonho), deixar pra lá e passar o dia assistindo Family Guy, entretanto o que tirei dessa experiência mental foi mais do que um sonho qualquer, foi principalmente o exercício do pensar a respeito do meu direito sobre o meu espaço, sobre o corpo que eu habito e que, até hoje, o meio vigia por mim, com dogmas morais e até leis estatais positivadas. Por isso achei melhor escrever um pouco aqui hoje, para dizer que "meu corpo, logo, minhas regras".

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