quinta-feira, 20 de março de 2014

Aos 13...

Ela pegava emprestado as fitas cassete e vinis do irmão mais velho de uma amiga da escola. Os que mais gostava gravava pra ela. Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Ramones, Bon Jovi, Aerosmith, Metallica, Guns n'Roses... Gostava muito daquele cassete do Guns: Appetite for destruction. Aquela capa era massa! Aquela fita só tinha música boa! Axl Rose era foda!

Ela tem 13 anos. Gosta de rock, desenho animado, de maquiagem, de matemática e de história. Nunca pensou o que realmente quer da vida, nunca pensou se quer o pode querer dizer "querer alguma coisa com a vida", se tira notas boas na escola então não tem com que se preocupar, pode ouvir música de boa...

Essa menina veio me visitar outro dia, olhou pra mim e disse entusiasmada, quase aos berros: "nós vamos pro show desse cara!!!". Em algum canto em mim eu nunca deixei de ser ela. É curioso como a cultura que a gente absorve faz parte da identidade que a gente constrói, da história que forma e transforma a gente. É curioso... É só o show de uma banda, mas que consegue me remeter àquela menina que eu fui aos 13 anos, mas, pois por mais que eu mude, me vejo sempre a mesma menina ouvindo rock, relaxada porque já cumpriu sua obrigação: "tirou notas boas na escola".

Minha mãe entrou no quarto e perguntou "por que seus olhos estão tão vermelhos?", eu menti, disse "deve ser por que estou sem óculos no computador faz tempo, vou desligá-lo". Ela percebeu que eu menti, mas pensou que talvez eu estivesse chorando porque briguei com meu namorado. Eu deixei ela pensar, acho que o mico seria maior se ela soubesse que na verdade eu chorava muito de emoção de saber que aquela menina realizaria o sonho de ver o show de sua banda preferida.
Imagem: Guns N' R. Roses by Band Land.

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