sexta-feira, 20 de junho de 2014

Adiar até quando?

Hoje eu quero lhes contar uma história...

Há uns 15 anos, quando eu era criança, ganhei uma caixa de lápis de colorir. Era uma caixa de lápis importados, lápis de cera numa embalagem linda, em cores lindas, de um tipo que não existia no Brasil (na época). Eu amei aquele presente. Eram os lápis mais lindos que eu tinha; eram os lápis mais lindos do que os lápis de qualquer pessoa que eu conhecia; eu tinha muitos outros lápis, e usava todos os outros lápis que tinha, menos aqueles, os que eu mais gostava.

O tempo foi passando, e eu aproveitei todos os lápis que não gostava muito, e preservei os que mais gostava, de modo que eu quase não fiz uso dos meus preferidos, eu não os gastei, não os senti, não os vivi. Depois de algum tempo, fiquei velha demais para eles, e eles ficaram perdidos, guardados numa gaveta, quase intactos...

Um dia, durante uma faxina, eu percebi que eles não estavam na parte da gaveta que eu sabia que eles sempre estavam guardados. Perguntei se alguém na minha casa os tinha visto. Meu irmão respondeu que os pegou sem me pedir permissão e emprestou a um amigo dele. Sim, eu fiquei extremamente furiosa, chorei de ódio quando recebi, depois de semanas, meus lápis quebrados e com dois a menos na caixa. Alguém tinha feito todo o uso que eu nunca fui capaz de fazer, dos meus lápis favoritos...

Depois disso eu aprendi uma lição: eu não deixei para usar depois meus lápis favoritos, minha calça preferida, ou até o sonho da minha vida. Eu guardei tanto, o que eu tinha que mais amava, não o aproveitei, e chegou o dia que simplesmente acabou tudo. É disso que eu estou falando: a hora é agora. Se tem que dizer que ama, o melhor momento é agora; se tem que decidir começar a realizar um sonho, o momento certo é agora; se tem que pintar com seus lápis favoritos, o faça agora mesmo. Esperar para depois, muito provavelmente, pode ser o mesmo que adiar para sempre.

Hoje, mais de 10 anos depois, eu encontrei a venda, no Recife, uma caixa de lápis de cor muito parecida com a que eu tanto preservei: Giz de Cera Bic Evolution com 12 cores. Meus antigos lápis eram um pouco mais bonitos, no entanto estes eram quase idênticos e eu comprei uma caixa para fazer meus desenhos. Fiquei muito feliz. Neste caso foi uma simples caixa de lápis de cor, mas nem sempre dá para recuperar o tempo perdido, portanto não o perca!


Até mais e beijão pessoal!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Autoconfiança

Foi no ano de 1995, eu tinha 8 anos e estava na segunda série do ensino fundamental (hoje em dia chamado de 3º ano). O Governo do Estado de Pernambuco lançou, entre as escolas públicas estaduais, o Concurso "Criança Também tem Direito" em comemoração aos 5 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente — ECA — Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Cada série deveria desenhar "um direito", um desenho de cada série seria escolhido para ilustrar um livro com textos de Maria Clara Machado sobre o "respectivo direito" desenhado. Como eu era 2ª série desenhei o que eu entendia por Direito à Convivência Familiar e Comunitária. Cada vencedor ganharia de presente uma bicicleta da Marca Golden Lion (Acho que era chinesa).

Eu me lembro bem, a professora entrou às pressas na sala de aula e disse que teríamos que desenhar rápido porque já estava no último dia do prazo para enviar os desenhos. Eu queria muitooo ganhar a bicicleta. Lembro que quando saí da sala de aula estava conversando com as outras meninas e disse alguma coisa sobre como vai ser "quando eu ganhar minha bicicleta", de imediato fui rebatida com um "se você ganhar a bicicleta". Mas isso não foi o suficiente para abalar minha confiança. Confiança em quê? Em nada, no tudo, em mim, acho que era intuição, sei lá...

Tempos depois: era horário da tarde e a inspetora da escola foi na minha casa à procura da minha mãe (eu ainda moro à duas quadras daquela escola), eu atendi morrendo de medo, "o que é que eu fiz?!", pensava. Não que eu tivesse feito alguma coisa suspeita, mas vai saber... Minha mãe não estava naquele momento, mas eu daria o recado. Quando ela chegou eu dei o recado e na hora fomos à diretoria da escola. Chegando ganhei um abraço e parabéns dos professores que sorriam orgulhosos, só depois eu percebi que eu tinha ganhado o concurso. Eu só pensava "eu ganhei a bicicleta!!!". Eu era só felicidade.

A cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu na Biblioteca Pública do Estado, eu não lembro quem era prefeito, governador, secretário da educação, eu só lembro de ter ficado tomando suco de manga e refrigerante com olhos compridos para o espumante que eu sabia que eu não podia tomar, e com os mesmo olhos brilhantes para aquela caixa enorme onde estava desmontada minha bicicleta nova.

Eu lembro da convicção de que eu ganharia, não importava que estaria concorrendo com o estado todo, que eu só era mais uma na multidão, eu não sabia de nada disso, eu só sabia que eu estava no páreo e que queria muito aquela bicicleta. 

Meu desenho.