quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Consumismo compulsivo é doença!

Ir ao shopping, comprar uma porção de coisas completamente dispensáveis, depois chegar em casa e olhar aquele monte de sacolas na cama e sentir um vazio misturado com arrependimento. Eu já sofri com esse comportamento doentio e quero falar sobre isso hoje. Não é um relato fácil para mim, durante muito tempo escondi isso de todo mundo que me conhece, mas sim, eu já fui uma consumista compulsiva. Nunca cheguei a ficar endividada, nunca atrasei a fatura de nenhum cartão, mas já fui de gastar cada centavo que tinha em coisas só por gastar. As causas para qualquer comportamento compulsivo são as mais variadas, eu não sou psicóloga, nem psicanalista, mas posso aqui falar um pouco sobre as que talvez tenham sido as minhas causas.

Em fases de transição na vida é comum  passar por crises de ansiedade e insegurança, até depressão. No meu caso foi o começo da vida adulta, início dos 20 e poucos anos,  nunca foi esse último — depressão — o meu caso, mas eu me sentia por vezes ansiosa e entediada, para "esquecer" isso eu ia às compras. Já doei muita roupa sem uso, livros que eu nunca li, joguei no lixo maquiagem que eu nunca usei e perdeu a validade, ainda hoje eu tenho DVD's desse tempo que eu comprei e nunca vi e equipamentos de fotografia que eu nunca usei — um dia me desapego de alguns. Essa fase difícil veio depois que eu abandonei comportamentos anorexos. Dos 17 aos 21 anos mais ou menos eu tinha muito medo de engordar e, por isso, ficava longos períodos de tempo sem comer, depois que uma modelo famosa morreu por complicações advindas da anorexia eu acordei deixei disso. Por volta dos 22 anos eu estava na segunda metade da faculdade, eu era bolsista e se reprovasse perderia a bolsa, isso me deixava muito tensa e ansiosa — tanto que eu tinha a pálpebra piscando involuntariamente o tempo todo —, tinha também um emprego horroroso o qual eu não abandonava porque era o dinheiro desse emprego que eu usava para comprar um monte de besteira.

A sociedade que endeusa o consumo, incentiva esse comportamento, mas eu saí dessa aos poucos, depois de jogar muito dinheiro no lixo e buscar tomar sozinha consciência do que estava acontecendo. Para conter a ansiedade e passar o tédio passei a ouvir mais música, usei o tempo vago também para me dedicar a atividades criativas que relaxassem minha mente, atividades como fotografia e pintura, escrever no blog e em meu caderno pessoal também ajudou a manter o autocontrole.

Hoje em dia — aos 27 anos — procuro otimizar o uso das coisas que tenho, por exemplo, me recuso a passar menos de 3 anos com um celular, o meu já tem dois anos e cumpre suas funções de maneira satisfatória ainda. Também procuro não acumular coisas perecíveis a curto e médio prazo, como maquiagem e esmaltes, quanto a roupas, eu busco ter peças coringas como shorts e calças jeans, vestidos e camisetas pretas — pois é, sou a pessoa mais básica do mundo — e nada comprado por impulso só porque está na promoção — este era um dos meus maiores erros. Esse é meu jeito de manter algum controle. Por isso, hoje em dia, de tempos em tempos, eu procuro me desapegar de coisas que não uso mais, ajuda a não ter coisas demais nem desperdiçar. Semana passada eu fiz isso, preparei uma "sacolinha do desapego" que eu dou às minhas amigas ou entrego à minha mãe e ela dá às filhas das conhecidas dela. Dessa vez, minha sacolinha do desapego foi com os seguintes itens: 1 peletinha de blushes; 1 batom; 1 sombra em pó; 2 glitters para olhos; 3 esmaltes; 2 pares de brincos; 1 máscara para cílios; 2 lápis de olhos; 1 base facial. Todas coisas semi-novas que estavam estagnadas em meu guarda-roupas. 

Se eu me considero uma consumista curada? Na maioria do tempo sim. De vez em quando até vem aquela vontade de comprar e com tantas lojas on line, que é como ter um shopping dentro de casa, é bem difícil resistir, mas eu geralmente resisto. Respiro fundo e vou fazer outra coisa, daí a vontade tende a passar. Quando eu vou às compras, para comprar o que eu realmente preciso, faço uma listinha com antecedência e procuro seguir a tal listinha à risca, não fico passeando pela loja, vou direto no que preciso e levo para pagar e saio da loja. Não que eu consiga viver de consumir só o essencial para viver, mas hoje em dia eu procuro consumir conscientemente e consigo juntar dinheiro sem ficar ansiosa por torrar tudo.
Imagem: Bag a head by Aleksander1.
Até mais e beijos!

6 comentários:

  1. a gente vive numa sociedade de consumo tao forte que acaba nao reparando que mts vezs a gente exagera e nao percebe que a coisa vai virando uma doença! precisamos msm estar mt atentas

    www.tofucolorido.blogspot.com
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    1. Esse é realmente um problema de muita gente, às vezes passível até de terapia para ajudar a tratar. Beijão!

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  2. Jaci, que bom que você conseguiu melhorar e se tornar uma pessoa mais controlada, parabéns. Eu não faço ideia da barra que você passou, porque nunca estive nessa situação.
    A gente é bombardeada o tempo todo com propagandas que empurram de goela abaixo que a gente PRECISA consumir para ser feliz. É uma merda isso.
    Quando eu comecei a isso de blog, com o glitter e rocknroll, eu passei um tempo querendo tudo o que saia, porque via as resenhas, propagandas e afins em outros blogs, mas eu não tinha grana e aí parei pra refletir e me toquei que eu não precisava disso, que isso não era eu, que eu não era assim.
    Hoje em dia, com o maquiando sem crueldade, faço várias coisas com os mesmos produtinhos de sempre. (A unica coisa qeu tenho muito - uns 28 a 30 - é batom)

    beijos

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    1. Obrigada Melissa ^^ E, vale a pena ressaltar, com os mesmos produtos que você já tem você faz maquiagens muitooo lindas. ^^ Beijão!

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  3. Jaci, eu realmente não posso chegar aqui e dizer que entendo pelo que você passou, pois não entendo... Mas, como a Melissa ressaltou acima, é difícil viver numa sociedade que prega, à todo momento, que você precisa comprar, precisa consumir e ostentar para ser uma pessoa realizada, admirada e feliz.
    Muitas vezes, quando nos falta algo, tendemos à "substituí-lo" por algo que nos pareça relevante e que nos traga conforto momentâneo - e é quando estamos nessa situação emocionalmente enfraquecida que as propagandas mais nos afetam. O que me deixa mais triste à respeito disso, é saber que a intenção é essa mesmo: fazer dinheiro às custas dos sentimentos alheios.

    Enfim. Fiquei muito feliz em ler seu texto e saber que já está recuperada desse problema!
    Beijões!

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    1. Pois é San, por isso devemos ficar muito atentas, às vezes nem as pessoas muito próximas percebem, ou não veem isso como um problema sério.

      Beijão!

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