quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sobre um passarinho que fugiu...

Hoje estava fazendo sol, me dei o luxo de acordar tarde, depois saí para resolver minhas coisas. No caminho, eu vi uma pequena movimentação que me chamou atenção, um homem gritava pro outro por trás de um muro "joga a camisa nele e pega!", quanto prestei mais atenção vi um passarinho verde alçando voo e fugindo dos homens que o tentavam capturar. O "dono" do passarinho lamentava "agora não dá mais para pegar", o passarinho havia fugido da gaiola e, driblou os dois homens que se esforçavam para pegá-lo de volta e bateu asas para tão longe quanto fosse preciso para desaparecer das vistas daqueles homens. Como ele saiu da gaiola? Eu não sei, talvez uma tranca frouxa depois de trocar a água ou pôr comida, ou uma criança abriu. Ahhh como eu tenho vontade de dar uma de maluca e simplesmente abrir a gaiola quando eu vejo uma com um passarinho aprisionado.... Hoje, ver que aquela criaturinha que, mesmo com "forças maiores que ele" tentando o prender novamente, não perdeu a oportunidade de resgatar a liberdade que lhe foi suprimida, foi lá e a resgatou. Agora é livre. Certamente na gaiola que ele ficava tinha água fresca, comida regular e até um momento diário de banho de sol, tudo que precisa para viver até morrer de velhice. Tudo que precisa... Mas será que basta essa segurança de que vai simplesmente viver até morrer? A certeza de que vai se viver até morrer de velho é realmente tudo o que se precisa? Uma prisão com comida, água e banho de sol... Quanta gente não há que vive em certas prisões, garantidos unicamente de que vão viver até morrer de velhice e sempre terão comida, água e alguns "banhos de sol"? E vivem nem infelizes nem felizes, apenas com "o copo pela metade", às vezes mentindo para si próprio de que "o copo está meio cheio". O que vai acontecer com aquele passarinho agora que é livre? Quem sabe?... Eu confio muito nos instintos animais, tanto que quando, por exemplo, um cachorro não gosta de uma determinada pessoa, então é melhor também manter "um pé atrás" com a tal pessoa; e a força com que aquele passarinho brigou por sua liberdade, para ser dono do seu destino, nos serve de inspiração sobre o quanto é indispensável a autonomia sobre nossas vidas, sobre o quanto é fundamental que nossas escolhas sejam livres da tutela de "um dono" que nos aprisiona e dá "tudo que precisamos". Às vezes o papel do "dono que tutela o passarinho" vem materializado na figura dos pais, de um emprego, de um(a) namorado(a)... E você, que tipo de "passarinho" é?


Imagem: bird by Lara Paulussen.

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