sexta-feira, 23 de junho de 2017

Por que séries de animação adulta sobre famílias sempre têm o pai como personagem principal?

Eu curto muito esses desenhos e animações que se propõem a analisar e criticar com humor o moralismo social a partir das vivências do "modelo tradicional de família", tais como "Os Simpsons", "Family Guy", "American Dad"... Por esses dias terminei de ver a segunda temporada de "F is for Family" na Netflix e achei por bem escrever sobre uma coisa que observo de comum nessas séries: todas têm como personagem principal o pai da família. Vejamos se não: Família Dissouro: DinoOs Simpsons: Homer Simpon; Family Guy: Peter Grifin; American Dad: Stan Smith; Bob's Burgers: BobThe Cleveland Show: Cleveland; F is for FamilyFrank Murphy. Se alguém duvida então analise por gentileza as aberturas dessas animações e observe quem é que que protagoniza os vídeos de abertura (quando o próprio nome da série já não tem o nome do cara como principal).

Na maioria dos desenhos que eu listei a mulher não pode ser dita nem como secundária, afinal em "Os Simpsons", por exemplo, depois de Homer o personagem que mais popular é Bart. Em "Family Guy" com certeza os personagens depois de Peter são Brian e Stewie. Em "American Dad" depois de Stan pode-se dizer Roger. Só em "F is for Family" a mulher, Sue Murfy, talvez possa ser dita como segunda personagem da história. Mas o comum é que são sempre as histórias da família de "um cara". Outro comum é que a mãe nunca tem emprego, é sempre a esposa e mãe que cuida da casa o modelo de "good house wife" (ou se arruma um emprego é só temporamente por conta de fases de dificuldade financeira da família). Se eu for fuçar nos desenhos que assisti na infância encontro a mesma regra. Por exemplo, "Os Flintstones" e "Os Jetsons" até em "O Fantástico Mundo de Bobby". Claro que ainda gosto de todos esses desenhos, mas no meio de todo o roteiro eu me pego pensando "como será que essa mulher se sentiria?", mas o roteiro quase sempre se desenvolve sobre outro assunto. Talvez seja possível encontrar pontos de subversão a esse clichê em "A Família Adams", afinal, é inegável o teor de protagonização de Wandinha (mesmo porque, ser o inverso ao comum conformista era a sacada da série). Não estou querendo dizer que esses desenhos são machistas, se você entendeu isso, então entendeu tudo errado (há personagens nesses desenhos, inclusive, que eu AMO, como Tina [Bob's Burgers] e Brian [Family Guy]). Só quero atentar para essa tendência de sempre ser "o cara" a ocupar a posição de "centro" e protagonista, o que me soa cansativo, pois não param de surgir desenhos novos que repetem o mesmo modelo. Quando vai aparecer um que subverta isso?

Observe os filmes, livros, séries mais populares de modo geral, quantos deles contam histórias de mulheres. Digo sem rodeios: bem poucos! E nesses poucos encontramos muita besteira com clichês preconceituosos com mulheres inseguras, melancólicas, nervosas e confusas ou simplesmente mulheres buscando "um príncipe". Claro que hoje em dia tem uma "Moana" ou outra aparecendo no cinema, mas sabe uma coisa que eu queria ver e ainda não vi: uma sitcom adulta na qual se invertesse essa lógica de "o pai é o centro" só para ver como os roteiros dos episódios seriam e para poder dizer que tem pelo menos uma assim.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

domingo, 4 de junho de 2017

"Pogando", de Psonha

Se  alguém me pedisse uma dica de Histórias em Quadrinhos punk e de autoria de uma mulher, com certeza essa seria minha primeira indicação. A HQ "Pogando", de Psonha (ex-baixista da banda punk/hardcore Menstruação Anárkika) carrega em cada página todo espírito jovem e entusiasmado punk. As ilustrações são muito lindas, um misto de técnicas de aquarela, guache e arte digital. Esta edição vem em papel couché fosco 150 g/m², ou seja, ótima qualidade!

SINOPSE: A HQ "Pogando", da Psonha, é Punk! Punk que pulsa em todas as páginas através do traço, das cores, das músicas e das letras dessas músicas. Pogando tem ótimas sacadas gráficas, narrativas e é, principalmente, sobre juventude, liberdade e amadurecimento de um jeito Punk que você vai conhecer lendo a história. Poguemos! \o/



Recomendo que leia ouvindo a playlist das músicas que "rolam" na história: Playlist Pogando.

Título: Pogando;
Autora: Psonha;
Editora: SESI-SP Editora;
Ano: 2015;
Págs.: 120;
Preço: R$ 42.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

"Como na quinta série", de DW Ribatski

O assunto abordado nessa HQ é violência policial. A edição, lançada na versão impressa em 2011, foi disponibilizada para leitura on line livre em 2013 e conta uma história de abuso de poder e violência policial e como um novo policial age diante de uma situação diante da qual não consegue manter o controle.

SINOPSE: O que acontece quando um policial da temida F.O.D.A. (Força Especial das Rodovias) encontra um jovem transgressor que reage a uma abordagem de maneira pouco convencional. Esse é o enredo da história 'Como na quinta série', segundo volume da coleção ZUG. O livro mergulha numa trama perturbadora sobre a autoridade, o poder e a ignorância humana.

Em virtude dos tempos críticos e extremos que estamos experimentando no Brasil a Balão Editorial tornou disponível, em acordo com o quadrinhista DW Ribatski, a HQ Como na Quinta Série gratuitamente na internet para leitura [AQUI].


A edição impressa custa R$13 e pode ser adquirida no site da editora.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade", de bell hooks

Primeiramente Fora Temer! (irresistível dizer isso),"bell hooks" não está escrito errado. A autora do livro que vamos comentar a respeito hoje é uma ativista social e acadêmica estadunidense, nascida numa zona rural do Kentucky, seu nome "de registro" é Gloria Jean Waltkins (1952 - ), mas ela assumiu o nome da sua bisavó materna, Bell Hooks, como um "nick name" na intensão de lhe prestar uma homenagem. Quanto ao uso de letras minúsculas na redação do nome, ela prefere usar assim pela razão de acreditar que desse jeito indica ao leitor que o foco em que se deve concentrar são suas ideias e não ela mesma.

SINOPSE: "Em Ensinando a Transgredir, bell hooks  escritora, professora e intelectual negra insurgente  escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a "transgredir" as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. Segundo bell hooks, "a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender". Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo".

Tenho a primeira edição brasileira de Ensinando a Transgredir, que é de 2013, mas em 2017 a editora WMF Martins Fontes trouxe uma segunda edição do livro com uma capa muito melhor, eu amei! Este é um livro sobre feminismo, pedagogia e pensamento crítico social, assuntos super atuais e urgentes abordados sob uma perspectiva que visa a liberdade e libertação plena de todas as pessoas. Portanto, recomendo demais a leitura dessa obra e que se conheça essa pensadora contemporânea fantástica.


Até hoje, o único livro traduzido no Brasil de bell hooks é Ensinando a Transgredir, o que é uma pena porque ela tem vários outros que com certeza seriam muito interessantes para os leitores e leitoras no Brasil. Tais como ain't i a woman, feminism is for everybody, yasmming, feminist theory, entre outros... Já enviei um e-mail à WMF Martins Fontes perguntando se há planos de traduzir outras obras da autora, mas infelizmente nunca fui respondida.


O foco das ideias de hooks estão em questionamentos ligados ao feminismo e interseccionalidade de vários tipos de opressão (como de raça e classe, por exemplo). Segundo hooks "o feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão".



Título: Ensinando a Transgredir;
Autora: bell hooks;
Editora: WMF Martins Fontes;
Págs.: 288;
Preço: R$ 49,90.

domingo, 28 de maio de 2017

"O Ódio que Você Semeia", de Angie Thomas será lançado em português

The Hate U Give (no Brasil, O Ódio que Você Semeia) da escritora Angie Thomas, nascida e residente em Jackson - Mississippi, é um dos livros mais comentados dos últimos anos, chegando a marca do 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, a história aborda problemáticas sérias como racismo. A história contada em O Ódio que Você Semeia promove o debate sobre um assunto urgente que é essa questão tão importante. Embora se passe nos Estados Unidos, trata-se de uma livro reflete muito do que o contexto social no Brasil também é, por isso já reservei o meu em pré-venda e assim que chegar terá resenha deste livro aqui no blog.

A Editora Record vai lançar em português pelo selo Galera e o lançamento no Brasil será em 10 de julho. Já é possível encomendar em pré-venda em algumas livrarias como Cultura e Saraiva, está custando R$39,90.


Os direitos cinematográficos do livro foram comprados pela Fox 2000, o cineasta George Tillman deve estrelar juntamente à atriz Amandla Stenberg (A que fez Rue, em Jogos Vorazes). 

SINOPSE: "Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar."

sábado, 27 de maio de 2017

"Crônica de uma namorada", de Zélia Gattai

Li esse livro em duas madrugadas seguidas, deixei de ver séries no Netflix porque tive realmente muito mais interesse em ler a história que Geana estava contando. Eu AMEI essa história. Fiz uma viagem maravilhosa à década de 50. A personagem que sem dúvida mais me fascinou foi Ricardina (). Duvido quem ler não amar Ricardina! Ela tem um tipo de coragem que não é raivosa, é sonhadora sem medo, algo tão nobre e raro. Acho que com ela lembrei que é feliz quem não deixa de sonhar, com coração grato e livre de rancor.


SINOPSE: O romance de Zélia Gattai acompanha as dores e descobertas da menina Geana, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade.  São temas simples que, nas mãos de Zélia, se transformam num relato de formação minucioso. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. É nas pequenas alegrias — bailes de adolescentes, programas de calouros e o convívio com personagens fascinantes como Ricardina, a menina pobre que deseja se transformar em cantora — que a protagonista reúne forças para enfrentar as dificuldades e se redesenhar. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.


Título: Crônica de uma namorada;
Autora: Zélia Gattai;
Editora: Companhia das Letras;
Ano: 2011;
Págs.: 272;
Preço: R$ 47,90.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Conheça: Delmira Agustini

Delmira Agustini, poeta e ativista feminista uruguaiana (1886-1914), foi uma mulher a frente do seu tempo, escreveu sonetos sobre erotismo feminino numa época em que este ramo era totalmente dominado por homens. Sua obra é caracterizada por uma carga erótica forte. Seus poemas seguem a linha modernista e estão cheios de feminismo, simbolismo, sensualidade e sexo. Seu estilo pertence à primeira fase do Modernismo e seus temas que tratam de fantasia e materiais exóticos. Eros, deus do amor, simboliza erotismo e é a inspiração para poemas Agustini cerca de prazeres carnais.

Porém infelizmente Delmira estava fisicamente inserida num tempo misógino, e por essa razão a história da poeta foi interrompida prematuramente, aos 27 anos, após se separar do marido, ele a assassinou e cometeu suicídio depois. Atualmente Montevidéu tem um memorial dedicado a Delmira Agustini e todas as vítimas de violência de gênero localizado na rua Andes 1206, onde Delmira foi assassinada pelo ex-marido.


Tem disponível para baixar de graça para o Kobo (no app ou no e-reader) no site da Livraria Cultura e-book com sonetos de Delmira: AQUI.

terça-feira, 9 de maio de 2017

"O Conto da Aia", de Margaret Atwood

"The Handmaid's Tale" (no Brasil "O Conto da Aia", pela editora Rocco) é uma ficção distópica escrita pela canadense Margaret Atwood no ano de 1985. A trama virou série, cuja primeira temporada conta com 10 episódios e que está renovada para a segunda temporada, transmitida pelo serviço de streaming Hulu. A história é interessantíssima, se passa futuro imaginário, onde os Estados Unidos não se chamam mais Estados Unidos, o país tornou-se a República de Gilead, que é governada por um regime totalitário e teocrático que vive uma guerra civil. O país é organizado de modo que as mulheres são propriedade do Estado, não têm direitos individuais e são divididas em castas – mulheres férteis (as mais raras) pertencem ao grupo das aias e têm apenas uma função: procriar para famílias de homens poderosos e suas esposas estéreis. O processo no qual as aias são estupradas pelos comandantes é chamado de “cerimônia”. Para quem gosta de ficção política, ficção científica, distopias sociais como 1984 e A Revolução dos Bichos (de George Orwell), Fahrenheit 451 (de Ray Bradubury) ou Admirável Mundo Novo (de Aldous Leonard Huxley), indico muito a leitura de O Conto da Aia, pois esta obra tem um pouco de tudo que tem naquelas outras, o debate sobre o totalitarismo, sobre liberdade e direitos civis e sociais, só que com uma pitada de algo que faz oportuno debater as questões de gênero.

Imagem: A Handmaid's Tale by Francisco Martinez.
SINOPSEA história de 'O conto da aia' passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.

O título parece estar esgotado no Brasil, mas ainda é possível encontrá-lo nos sebos.

ACHEI PARA BAIXAR AQUI: O CONTO DA AIA EM PDF



Título: O Conto da Aia;
Autora: Margaret Atwood;
Editora: Rocco;
Págs.: 366;
Preço: R$ 48,00.






Atualização em 27/05/2017: A Editora Rocco anunciou que irá relançar o livro, revisado e com capa nova, estará disponível nas livrarias a partir de 07 de junho.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

"Para Educar Crianças Feministas: um manifesto", de Chimamanda Ngozi Adichie.

De modo geral, pode-se dizer que o feminismo é um "modo de pensar" segundo o qual todo ser humano tem exatamente igual valor de humanidade sem que se deva fazer qualquer discriminação que imponha exigências, expectativas prévias ou mesmo "diminuição" da humanidade de uma pessoa humana com base em seu gênero ou sexo. Sabemos, entretanto, que diversas sociedades fazem esse tipo de discriminação e é em lutar contra essa discriminação – tanto nas suas causas quanto nos seus efeitos – que se emprenha o feminismo. É sobre educar crianças com essa visão de justiça que se debruça o livro Para Educar Crianças Feministas, da maravilhosa escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Este livro não pretende ser um manual, mas uma conversa franca com sugestões para ajudar a ter ideia de como agir na educação das crianças no sentido de orientá-las diante da realidade que é viver num mundo cheio de injustiça de gênero. É uma leitura que indico tanto para quem educa quanto para quem não educa (ao menos, não diretamente) crianças, porque traz um texto, embora de leve leitura, carregado de questões urgentes e fundamentais que não devem ser negligenciadas, questões acerca de diversos tipos de violência e desvalorização de seres humanos só por serem classificados como "mulher". 


SINOPSEApós o enorme sucesso de 'Sejamos todos feministas', Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa

Tem a versão digital e a física e custam R$9,90 e R$14,90, respectivamente.

Título: Para Educar Crianças Feministas: um manifesto;
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie;
Editora: Cia. das Letras;
Tradução: Denise Bottmann;
Págs.: 96.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Caras que eu conheço

Na minha pré-adolescência fui a "amiga-tipo-menino", mas isso só até a menstruação descer e meu corpo mudar e os meninos começarem a perceber que eu não era "um cara". Permaneceu assim, não mudou, mesmo que eu mudasse os amigos eu sempre era um "não-cara", antes de qualquer outra coisa, e o respeito (no sentido de admiração e consideração) não tinha como não passar por esse filtro: "Jacilene é uma menina". Não deixou mais de ser assim, mesmo nos meios de "caras" que dizem não fazer diferenciação de gênero (porque quase sempre é mentira). Eu nunca tive vontade de "ser qualquer daqueles caras", na grande maioria era um monte de idiotas mimados, incapazes de ver qualquer complexidade no que fosse, porque vivem num sistema que os mima e os protege para sempre serem servidos, hoje pelas mães, amanhã pelas esposas, mas sempre pelas "mulheres", uns babacas fanfarrões criados sem capacidade de fazer o próprio café da manhã, arrumar a própria cama ou lavar uma camisa. E eles "perceberam que eu era uma dessas", que eu "não era um cara". 

Cresci observando e protestando contra atitudes práticas que reduziam minha humanidade à categorização "mulher" e, com isso, carregava minhas costas com o peso de todas as expectavas sociais imbecis que se tinham para essa categorização prévia: seja boazinha; seja frágil; seja doce; seja meiga; seja delicada; seja "mais feminina"; os meninos não gostam de meninas assim, então seja uma estúpida que faça eles se sentirem seguros, porque, na verdade, eles que são inseguros e estúpidos; não seja melhor do que os meninos. 

Na verdade, mesmo hoje, eu conheço um monte de caras que até dizem apoiar ideias feministas, que bancam os descontruidões descolados para alguns grupos que querem impressionar, mas que no fundo, na sinceridade, não respeitam de verdade um ser humano pelos seus feitos e ideias sem fazer uma prévia categorização de gênero, isto porque, no fundo, acreditam que mulher é tudo estúpida, fútil, superficial e "complicada" (pra não dizer idiota), são uns tipos de caras que gostam de verdade e respeitam, admiram de verdade, só os amigos que eles categorizam como homens, com quem podem conversar "coisas de homem" e ouvir as opiniões e experiências "dos caras", que são as que realmente eles dão atenção, enquanto às mulheres eles fingem ouvir porque ouviram dizer no feminismo que têm que ouvir. Porém, considerar uma pessoa sem expectativas de gênero é uma prática, uma internalização, não um bla bla bla hipócrita. Conheço diversos desses caras, me entediam, por isso minha atitude tem sido a de ignorá-los.

*   *   *
>> Livro que eu indico esta semana: 

"Último aviso", por Franziska Becker
Categoria: Quadrinhos adultos;
Publicado no Brasil por: Barricada;
130 pgs.

Sinopse: 'Último aviso' traz o olhar feminista afiado da alemã Franziska Becker sobre temas variados da vida privada e social, como consumo, moda, dinheiro, relacionamentos, política, religião e mídia. Iniciada no mundo das charges, caricaturas e histórias em quadrinhos na década de 1970, Franziska é considerada uma das mais brilhantes cartunistas da Alemanha. Oscilando entre a profunda seriedade e bobagens absurdas, Franziska criou com o conjunto de seus trabalhos uma grande crônica sobre o contemporâneo, abordando situações familiares e atuais, mas de relevância atemporal. Sua visão do mundo mostra um retrato surpreendente e irritante de nossa existência, sempre colocando o leitor entre o sonho e a realidade. Com ironia, humor e uma dose de sua própria experiência, Franziska revela o espírito da época em todas as suas facetas, com um olhar incorruptível que pode ser, ao mesmo tempo, maldoso e amoroso, mas que é sempre certeiro e anarquista. Quer se trate de 'modalidades esportivas para mulheres', da 'administração de crises' ou da 'nova política para desempregados' - os desenhos burlescos e as situações bizarras criados pela cartunista são marcados pela irreverência e enriquecidos por uma profusão de detalhes que remete aos mais sutis absurdos do cotidiano.

sábado, 8 de abril de 2017

"Outros Jeitos de Usar a Boca", de Rupi Kaur

Sinopse: Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia - e que também assina as ilustrações presentes neste volume.

Não sei como classificar a leitura desse livro de maneira que o mesmo seja plenamente contemplado. Não encontro adjetivação satisfatória nem para ele nem para como ele me fez me sentir. Já ouvi ou li por aí sobre como a verdade é que uma obra de arte lê seu observador, ao invés de o inverso. Com este livro tive esse sentimento. A cada página era como se os poemas lessem a mim, e não eu a eles. E nossa como tocou fundo, como doeu. Chorei de soluçar. Chorei rios. Assim, só digo que é um livro fuderoso!


O título original é Milk and Honey, em referência a um dos poemas do livro, e no Brasil foi publicado como Outros Jeitos de Usar a Boca em referência também a um dos poemas do livro, pela editora Planeta. Eu gostei mais do título da versão brasileira.


R$29,90, achei o preço bom e recomendo demais a leitura.

domingo, 5 de março de 2017

Guardar maquiagem na geladeira ajuda a conservá-la

A temperatura média está muito alta (no Recife, passa dos 30° C, inclusive à noite), daí para evitar que meus batons estragassem, comecei a guardá-los na geladeira. Esse cuidado mantém o batom firme, evita que ele quebre por estar meio mole devido ao calor, também ajuda a conservar por mais tempo o batom com sua textura, cor e aroma originais, aspectos que o calor pode alterar, o que significa, em muitos casos, que o batom está estragado e deve ser inutilizado. Agora, é claro, que não é recomendável guardar numa temperatura baixa demais, por exemplo, à beira do congelamento, julgo que até 10° C está ótimo, menos do que isto talvez não seja recomendável.

O que eu soube um dia desses é que esse costume também deve ser adotado com esmaltes, perfumes e maquiagens líquidas e cremosas como, por exemplo, bases, máscaras para cílios, delineadores e sombras cremosas, pela mesma razão, por ajudar na conservação dos produtos. Para maquiagem em pó não precisa.


É interessante providenciar uma caixinha de plástico especialmente para manter sua maquiagem bem longe da comida – por razões obvias! É um costume que agora adoto com toda maquiagem cremosa que eu adquirir e recomendo muito. Sabe aquelas mini geladeiras portáteis? Tipo esta aqui:


Agora eu quero muito ter uma!

>> Mais informações neste link onde eu li mais sobre isto: Nove produtos de beleza que você deve guardar na geladeira.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

"Tinha tanto espaço ocupado com passado que não sobrava lugar para o presente"

"Tinha tanto espaço ocupado com passado que não sobrava lugar para o presente", foi o que eu me dei conta depois de fazer mais uma super limpeza de "desacumulação". Dessa vez foi grande. Me desfiz de maquiagem, calçados, CD's, bastante livros que não me satisfaziam mais, até um violão e assessórios para fotografia que eu praticamente não usei. A separação é a mesma básica e funcional: "coisas para doar", "coisas para vender" e "coisas para o  jogar no lixo". Cada coisa tem uma história, e, não raro, uma história de frustração por simplesmente não ter dado o devido uso àquele objeto – esta, aliás, é a história que mais se repete. Assim, tanto passado acumulado e o presente sufocado, sem encontrar seu lugar. ]

Outra providência muitíssimo importante: "comprar menos coisas", o mínimo possível, quase nada se conseguir, só o indispensável para viver com algum conforto e segurança. Guardar coisas gasta muita energia vital, melhor não gastar algo tão precioso com coisas.

Sabe o que fazem com aquelas bibliotecas particulares fabulosas que as pessoas levam a vida a cultivar? Retalham em sebos por micharias quando a pessoa morre. Tem um livro que eu comprei num sebo por R$3,00, "Crítica da razão tupiniquim", de Roberto Gomes, uma edição da Editora Cortez, do ano 1982. Comprei o livro intacto, sem nenhum risco, mancha ou dobra, certamente seu ex dono ou dona tinha muito cuidado, mas pela edição do livro, eu até apostaria que não foi a mesma pessoa que foi dona desse livro a vida inteira que o repassou quase de graça para o sebo... Então, vou deixar de adquirir livros para ler? Jamais! Só prefiro ser muito menos acumuladora de livros, repassar com menos cerimônia os livros que já li, sobretudo os bons, os que mais devem ser lidos por muito mais pessoas, afinal, um livro, enquanto parado e fechado numa estante, juntando poeira, trata-se de um livro "morto", até que alguém o leia e o traga de volta à vida.

Desapegue, desacumule, a maior leveza fica para a alma...


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Lista: 5 histórias em quadrinhos de autoria de mulheres e com protagonistas mulheres

Seguindo onda do post anterior de listinhas, hoje a lista é de 5 histórias em quadrinhos de autoria de mulheres e com protagonistas mulheres. Os 5 fazem parte da minha singela coleção de HQ's e curto muito e indico demais.

1. "Persépolis", de Marjane Satrapi



Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em "Persépolis", o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

PS.: Me envolvi tanto com essa leitura que me peguei abraçada com este livro quando terminei a leitura, como se o abraço fosse na própria Marjane. Recomendo também a animação baseada neste livro.

2. "Magra de Ruim", de Sirlanney 



Sirlanney nasceu em 1984, no Ceará, e publica seus textos e desenhos na internet, em zines e revistas há mais de 15 anos. Mantém o blog "Magra de Ruim" desde 2012, que lhe rendeu grande visibilidade nos meios de quadrinhos alternativos e que foi a base para compilar o material que resultou neste livro homônimo. A dor, revolta e fragilidade da cearense Sirlanney estão expostas em Magra de Ruim, um apelido desagradável dos tempos de escola resgatado para dar título ao seu trabalho de quadrinhos. Como se não bastasse executar sessões de exorcismo de demônios particulares em público, o livro justapõe múltiplos estilos de traços, coloração e processos, reflexo da experimentação livre da artista, sem padrões pré-estabelecidos ou limitações.


3. "Virus Tropical", de Power Paola



Vírus Tropical é uma saga familiar divertida e descolada, repleta de personagens cômicas e alopradas- um pai sacerdote que dá missas clandestinas em casa, uma mãe que lê o futuro nos dominós, uma irmã mais velha depravada, outra totalmente beata  No meio dessa trupe, a caçula Paola tenta encontrar seu espaço e sua identidade. Com um traço fino, expressivo e cheio de detalhes, Power Paola nos mergulha no âmago dessa singular família colombiana. Dividido em capítulos curtos e temáticos, e escrito num estilo ritmado e com muitos diálogos, Vírus Tropical consegue emocionar e entreter associando o melodrama ao humor.



4. "O enterro das minhas ex", de Anne Charlotte Gauthier




Alguma coisa não está indo bem na vida de Charlotte. Na escola, ela se sente diferente das outras garotas da sua idade, e mesmo com o passar dos anos a incompreensão sobre si mesma persiste. Em sua cabeça, amor e amizade se misturam. Enquanto cresce, Charlotte narra as relações que vive, desde as inocentes paixonites da infância até o início da vida adulta. E, em um momento, ela entenderá que sua confusão tem nome. A partir daí, a garota desbrava um mundo desconhecido cheio de intolerância, arrogância e rejeição, mas também repleto de liberdade.



5. "Sorria", de Raina Telgemeier



Uma história baseada em fatos reais. Raina só quer ser uma menina normal da sexta série. Mas, certa noite, depois do encontro das escoteiras, ela tropeça e cai, machucando feio seus dois dentes da frente. O que vem em seguida é uma longa e frustrante jornada com e sem aparelho fixo, cirurgia, um vergonhoso freio de burro e até mesmo um aparelho removível com dentes falsos. E, além de tudo,  ela precisa lidar com um enorme terremoto, uma confusão com os meninos e amigas que se revelam nem tão amigáveis assim. A história de Raina nos leva do ensino fundamental ao médio, quando ela encontra sua voz artística, descobre o verdadeiro sentido da amizade e finalmente pode... sorrir.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

5 livros de introdução ao feminismo

Hoje achei por bem postar uma pequena lista de 5 livros que indico como boas introduções ao tema "feminismo". Nos últimos tempos se vê falar muito na internet sobre feminismo, mas juntamente com esse tanto falar vem muita informação distorcida que gera preconceito. Por isso hoje trago essa listinha, para quem quer entender o assunto ao invés de destilar bobagens preconceituosas. São livros de leitura leve, porém muito informativos, livros que eu com certeza indicaria para mim mesma quando eu tinha 15 anos e para muitas amigas e amigos que já tive. Então, quer entender melhor do que na verdade se trata esse tal de "feminismo"? Segue essa listinha:

1. "Sejamos Todos Feministas", de Chimamanda Ngozi Adichie

O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo. "A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente. "Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. "Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: 'Você apoia o terrorismo!'". Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são "anti-africanas", que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma "feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens". Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade.

>> Este é gratuito em e-book: AQUI

2. "Como Ser Mulher", de Caitlin Moran



Neste livro de humor e militância, a jornalista Caitlin Moran rememora suas experiências mais marcantes como mulher, da adolescência à maturidade, e busca abrir um novo caminho para o feminismo ao tratar de temas caros à mulher moderna. A partir de um péssimo aniversário de treze anos, ela fala sobre adolescência, trabalho, machismo, relacionamentos, amor, sexo, peso, maternidade, aborto, moda, compras e modelos de comportamento, sempre com um olhar crítico e muito humor. Nesta mistura de livro de memórias e manifesto feminista, as mulheres podem reconhecer coisas que fizeram, pensaram e disseram.



3. "Má Feminista", de Roxane Gay



Nesta seleção de ensaios engraçados e perspicazes, Roxane Gay nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. O retrato que emerge não é apenas o de uma mulher incrivelmente sagaz em contínuo crescimento para compreender a si mesma e à nossa sociedade, mas também o espelho de nós mesmos. Gay fomenta um debate ácido e cômico sobre o feminismo atual – e suas contradições –, política, racismo, violência, transitando entre a cultura pop e a análise crítica. Má feminista é um olhar afiado, e nos alerta, acima de tudo, para a maneira pela qual a cultura que nos envolve torna-nos quem somos.


4. "Feminismo e Política", de Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel


Esta obra aborda a teoria política produzida nas últimas décadas, especificamente a contribuição política do feminismo. O debate sobre a posição das mulheres nas sociedades contemporâneas abriu portas para tematizar, questionar e complexificar as categorias centrais por meio das quais era pensado o universo da política, tais como as noções de indivíduo, de espaço público, de autonomia, de igualdade, de justiça e de democracia. O livro apresenta e discute as principais contribuições da teoria política feminista produzida a partir dos anos 1980, apresentando os termos em que os debates se colocam dentro do próprio feminismo, mapeando as posições de diferentes autoras e correntes. O resultado é um panorama da teoria política feminista atual, escrito de maneira a introduzir os leitores pouco familiarizados nas discussões, sem por isso reduzir sua complexidade.

5. "Meu Corpo não é Seu", de Think Olga

Um livro essencial para entender como se dá a violência contra a mulher e as razões de este ainda ser um dos tipos de crime mais recorrentes (e menos punidos) no mundo. Em abril de 2014, foi divulgada uma pesquisa do IPEA que trouxe dados chocantes sobre a percepção da população do país diante da violência sexual contra a mulher. O que mais chamou a atenção foi a informação de que 65% dos brasileiros acreditava que mulheres usando roupas reveladoras mereciam ser atacadas. Por dias, o assunto gerou intenso debate e campanhas que mobilizaram milhares de pessoas. O número alarmante seria corrigido depois pelo instituto de pesquisa, caindo para 26% — mas essa porcentagem não deixa de ser expressiva e prova quão forte ainda é a mentalidade que responsabiliza a vítima pelo crime que sofreu. Com um texto claro e informativo, que une dados das pesquisas e reflexões mais atuais a depoimentos pungentes de mulheres que viveram situações de violência, este livro é fundamental para investigar por que a violência contra a mulher ainda é um dos tipos de crime mais recorrentes no mundo todo e por que tão pouco ainda é feito para preveni-la e denunciá-la.

>> Este em-book custa R$5,99: AQUI.

Crescer diante diante de uma cultura de objetificação da mulher

Eu cresci num tempo em que "ser feminista" era um "defeito". Cresci ouvindo "tu é toda feminista" com ares de acusação de um desvio moral. Cresci num tempo em que Gabriel Pensador xingava mulher de vagabunda em suas músicas, as colocava em listas como comida em cardápio e as culpava pela rede corporativista machista à qual elas estavam sendo submetidas, como carne à venda para gerar lucro a mega empresários. Era um tempo que as demandas do feminismo estavam nos livros que uns têm preguiça de ler e outros não têm dinheiro para comprar, estavam nos ambientes acadêmicos privilegiados, estavam restritas a poucos. O que restava era o preconceito disseminado nas mídias de massa e a noção falsa de que a mulher com a bunda e os peitos à mostra em banheiras do Gugu, ralando a piriquita em garrafas no Faustão era vagabunda e burra, ao invés de explorada por uma rede machista corporativista ainda maior, de que era "tudo puta" mesmo, e que tinha todas as possibilidades de escolher livremente outra coisa que não "exibir o rabo no domingo à tarde em rede nacional". Foi isso os anos 90, começo dos anos 2000, últimos anos do século XX, tempo de ignorância que não precisa se perpetuar pelo século XXI.


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