sábado, 4 de fevereiro de 2017

Crescer diante diante de uma cultura de objetificação da mulher

Eu cresci num tempo em que "ser feminista" era um "defeito". Cresci ouvindo "tu é toda feminista" com ares de acusação de um desvio moral. Cresci num tempo em que Gabriel Pensador xingava mulher de vagabunda em suas músicas, as colocava em listas como comida em cardápio e as culpava pela rede corporativista machista à qual elas estavam sendo submetidas, como carne à venda para gerar lucro a mega empresários. Era um tempo que as demandas do feminismo estavam nos livros que uns têm preguiça de ler e outros não têm dinheiro para comprar, estavam nos ambientes acadêmicos privilegiados, estavam restritas a poucos. O que restava era o preconceito disseminado nas mídias de massa e a noção falsa de que a mulher com a bunda e os peitos à mostra em banheiras do Gugu, ralando a piriquita em garrafas no Faustão era vagabunda e burra, ao invés de explorada por uma rede machista corporativista ainda maior, de que era "tudo puta" mesmo, e que tinha todas as possibilidades de escolher livremente outra coisa que não "exibir o rabo no domingo à tarde em rede nacional". Foi isso os anos 90, começo dos anos 2000, últimos anos do século XX, tempo de ignorância que não precisa se perpetuar pelo século XXI.


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