terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

"Tinha tanto espaço ocupado com passado que não sobrava lugar para o presente"

"Tinha tanto espaço ocupado com passado que não sobrava lugar para o presente", foi o que eu me dei conta depois de fazer mais uma super limpeza de "desacumulação". Dessa vez foi grande. Me desfiz de maquiagem, calçados, CD's, bastante livros que não me satisfaziam mais, até um violão e assessórios para fotografia que eu praticamente não usei. A separação é a mesma básica e funcional: "coisas para doar", "coisas para vender" e "coisas para o  jogar no lixo". Cada coisa tem uma história, e, não raro, uma história de frustração por simplesmente não ter dado o devido uso àquele objeto – esta, aliás, é a história que mais se repete. Assim, tanto passado acumulado e o presente sufocado, sem encontrar seu lugar. ]

Outra providência muitíssimo importante: "comprar menos coisas", o mínimo possível, quase nada se conseguir, só o indispensável para viver com algum conforto e segurança. Guardar coisas gasta muita energia vital, melhor não gastar algo tão precioso com coisas.

Sabe o que fazem com aquelas bibliotecas particulares fabulosas que as pessoas levam a vida a cultivar? Retalham em sebos por micharias quando a pessoa morre. Tem um livro que eu comprei num sebo por R$3,00, "Crítica da razão tupiniquim", de Roberto Gomes, uma edição da Editora Cortez, do ano 1982. Comprei o livro intacto, sem nenhum risco, mancha ou dobra, certamente seu ex dono ou dona tinha muito cuidado, mas pela edição do livro, eu até apostaria que não foi a mesma pessoa que foi dona desse livro a vida inteira que o repassou quase de graça para o sebo... Então, vou deixar de adquirir livros para ler? Jamais! Só prefiro ser muito menos acumuladora de livros, repassar com menos cerimônia os livros que já li, sobretudo os bons, os que mais devem ser lidos por muito mais pessoas, afinal, um livro, enquanto parado e fechado numa estante, juntando poeira, trata-se de um livro "morto", até que alguém o leia e o traga de volta à vida.

Desapegue, desacumule, a maior leveza fica para a alma...


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