sexta-feira, 21 de julho de 2017

Generosidade é uma virtude rara.

Uma das virtudes mais dignas de respeito é a generosidade. No nosso mundo atual a vaidade, o egocentrismo, o individualismo são os motores que movem a maneira como as pessoas convivem, de modo que não é possível dizer verdadeiramente que é comum haver nas relações inter-humanas o sentido de relação propriamente dita. O que há seria, no máximo, pessoas se aturando entre si. 

Um exercício básico que eu recomendo que todo mundo faça ao menos uma vez na vida é o de listar os nomes de todas as pessoas que você conhece e convive (ou já conviveu) e conseguir lembrar e tentar atribuir uma qualidade virtuosa a cada uma daquelas pessoas, mesmo das pessoas que você não gosta, tentar reconhecer com honestidade um traço positivo que seja na personalidade daquela pessoa. Tarefa difícil, mas recomendo, vai te ajudar ver as pessoas com outros olhos. Com honestidade, encontrei em diversas pessoas das que amo e das que detesto características respeitáveis como determinação, ousadia, resiliência, sinceridade, autoconfiança, criatividade entre tantas outras. Mas o mais curioso foi que ao final percebi que são quase todas virtudes voltadas para si próprios. Quer dizer, virtudes que têm como razão a individualidade antes de qualquer outra coisa. Pensar em ao menos um pessoa que eu pudesse qualificar como generosa foi muito difícil. Generosidade é uma virtude rara. 

Na sociedade que cultiva o individualismo como valor supremo a todos os outros valores as pessoas têm uma pessoa generosa como otária, ingênua, boba... Enquanto estão muito distraídas com seus carros novos, celulares de última geração, roupas de marcas caras, todo tipo de besteira cuja finalidade única é alimentar seus egos famintos. Suspeito que tem alguma coisa errada nisso. Pior é que na cultura do individualismo não é de se estranhar que ninguém ajude ninguém. Ah mas fulano é generoso com a própria mãe, com o próprio filho. Sim, porque é a mãe dele, porque é o filho dele, não deixa de ser o ego que move a ação.

Não sei onde quero chegar com esse texto, mas sei que quero chamar atenção para a ideia de que vale a pena parar para julgar a si próprio, pesar as próprias atitudes e olhar para os outros no sentido de ajudar de verdade, sair da própria bolha egocêntrica e de fato ter contato humano com alguém. Quando você liga para um amigo o que você quer: saber fofocas da vida dele ou prestar ajuda no que for preciso? Começa por aí.


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